sábado, 28 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
the weather is the weather
yes I know it's obvious, but last weekend when I was in Florianopolis, the island capital of the state of Santa Catarina, Brazil, on an assignment, to photograph the sunset for a advertising campaign, and the weather was not as I needed for the shooting, all I could say was this: the weather is the weather.Many years ago, when I was on vacation on the island, with a friend, and we were there just to enjoy life, go to the beach and surf in the sun, stare at the girls and imagine them without those bikinis, the final week of the trip was a rainy, cloudy week, no waves, no girls on their bikinis. So we came to the conclusion that all we could do was try to have some fun, despite the weather, because you know, the weather is the weather. Can't do nothing about it. There is nothing one can do.
So with that in mind, I made this photograph. Yes there is something one can do: don't complain, don't be sad, just photograph and remember that the weather is the weather.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
as escolhas, a esperança, as perdas e a saudade
a fotografia tem o lado frio - físico, mecânico, químico, cheio de números, feito de máquinas, equipamentos, materiais - mas o fundamental é o outro lado - quente, feito de vontades, buscas, descobertas, sensações, sentimentos.
A esperança - fundamental na criação da fotografia - é um dos sentimentos que vem se perdendo com o tempo e as novas tecnologias. A fotografia em filme tem, na essência, a esperança, e até a revelação (em português o termo fica mais dramático) a esperança é só o que existe da fotografia. Lembramos do momento, da foto, e a esperança se confunde com a fantasia e o desejo e até vermos a foto a esperança pulsa e impulsiona, nos move, até que colocamos os olhos na fotografia.
Quando por qualquer motivo o filme e as fotos não dão certo, as perdas são irreparáveis. Dependendo do que foi fotografado as perdas criam - ou revelam - sentimentos, e perder uma foto ou um filme pode não ser nada demais mas mais uma vez, dependendo (já que tudo depende) do filme e do fotógrafo, pode ser tanto, muito. Pode ser inimaginável até o momento que se percebe (em inglês fica mais dramático dessa vez: when you realize) o que aconteceu, a vontade de voltar no tempo é tanta e tão forte, e a saudade do que foi e do que nunca vai ser, das fotos que nunca vão existir, das imagens que não estão mais lá, é grande, toma conta e nunca mais vai embora.
Quantas vezes já perdi filmes, fotos, e mesmo já estando de uma certa maneira acostumado - já que não foram tantas vezes né - cada vez que acontece novamente parece que a frieza das máquinas derrete com o calor dos sentimentos e só o que resta são as escolhas, a esperança, as perdas e a saudade.
Essa foto da garota indo embora e do policial olhando com cara de quem pergunta o que tu ta fazendo fiz em Montevidéo. Clica em cima da foto que dá pra fazer como era costume no século dezenove: pegar uma lupa e ver os detalhes.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
fundo branco
dizem por ae que o ideal é fazer o que a gente gosta de fazer. Gosto de fotografar pessoas, ainda mais se forem interessantes.Sassá e Super Black, além de amigos de fé irmãos camaradas e pessoas interessantes, rendem fotos a qualquer hora do dia ou da noite. Escolhi a tarde, no estúdio, pra fazer uma das coisas que mais gosto de fazer, fotografar pessoas. E com o fundo branco, que sou fascinado pela atemporalidade que empresta à fotografia e pelo fato de que poderia ter sido feito em qualquer lugar do mundo, fundo branco não tem endereço.
Caras de vanguarda da cena musical e blogueiros criativos, renderam muito e o resultado ficou interessante e moderno, assim como eles, que por sua vez, assim como o fundo branco, poderiam ter vindo de qualquer lugar do mundo.
O boné do Sassá é do New York Yankees, que semana passada ganhou a World Series e é o time da hora nos EUA. Não deu pra ver nessa foto, mas o cara tá ligado.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
é aí que eu me refiro (e a não democratização da arte)
existe uma discussão (no bom sentido, claro) sobre a democratição da arte, sobre como a tecnologia e a modernidade e a "abertura" do mundo capitalista e a internet e tudo mais contribuiram para que a arte seja acessível para todos.Se a discussão não for muito à fundo, se for mais um papo informal pra deixar o cara mais otimista com o mundo, até concordo. Mas analisando bem, passando pela parte retórica e positiva de como o mundo - e a arte - são acessíveis, discordo profundamente.
Ok, todos podem comprar uma câmera na B&H pela internet, recebem em casa, mesmo no Afeganistão ou em qualquer lugar. Se tiverem cartão de crédito internacional. Se tiverem dinheiro pra pagar a fatura. Quantos caras tem uma câmera igual a essa da foto? Quantos operam regularmente e fotografam vários filmes, toda semana? Olha, em Nova Yorque não sei mas tenho certeza que alguns, agora em Porto Alegre, não sei mas gostaria, muito, que alguns tivessem e usassem pra trabalhos autorais. Ia adorar se qualquer amigo meu tivesse, se eu tivesse.
E essa aí de cima é só um exemplo de como a arte é cara e portanto não democrática, não inclusiva mas ao contrário, exclui, impede, não por nada que dependa do talento ou capacidade do fotógrafo do exemplo ou de qualquer artista ou estudante ou aficcionado por qualquer arte que seja regida pela indústria, pela grana e pela acessibilidade restrita.
Essa câmera é meu sonho de consumo (como dizemos os capitalistas) e usá-la é meu sonho, todo dia, ou toda semana, ou pelo menos uma vez por mês. Uma vez por ano, presente de natal, já tava legal.
Então quando leio sobre como a arte é democrática, meu voto vai pra essa câmera, seja ela qual for, mas esse tipo de fotografia, onde a mente controla muito mais a imagem, pela capacidade de corrigir ou distorcer o que se vê, sem falar de usar filme em chapa 8x10 polegadas, aproximadamente 20x25cm.
É aí que eu me refiro. Pelo menos eu tenho e uso um boné tipo o do cara, já é um alento.
post script: se não ficou super bem claro ainda, essa foto peguei no site da BH, não fui eu que fiz, apesar que o cara parece o Giovani.
domingo, 1 de novembro de 2009
parque de diversões
aos 14 anos, em 1992, eu estava em Buenos Aires, caminhando sozinho com uma câmera mecânica e manual, filme preto e branco, fotografando o que eu queria, podia, conseguia. Aos 17 anos, em 1995, estava em Chicago, com outra câmera, filme preto e branco. Em 96, aos 18, estava em Nova York, filme preto e branco e alguns coloridos. E assim foi, e o tempo foi passando.Semana passada me lembrei de tudo isso, caminhando sozinho em Montevidéo. Levei a Holga 120n, a Holga pinhole 35mm e ainda comprei uma câmera numa ferinha de antiguidades, funcionando perfeitamente, e fiz dois filmes 120mm com ela.
Muitos anos depois, senti algo que há muito não sentia e que me fez voltar no tempo. Essa foto resume bem o que foram os dias que passei lá: Montevidéo foi, pra mim, um grande parque de diversões. E ainda levei brinquedos.
Rambla Presidente Wilson, ao lado da sede do Mercosul, depois de um dia caminhando pela cidade e um por do sol adocicado na beira da praia. Essa foto foi com a digital, 15 segundos, f22. E trouxe vários filmes pra entrar na fila do laboratório...
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